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Poesias - O que toca, o que eleva, o que encanta

Uma página repleta de poesias
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MEU ANJO

Meu anjo tem o encanto, a maravilha
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos, tão macios
Como o pêlo sedoso dos arminhos.

Triste de noite na janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto
É leve a criatura vaporosa
Como a frouxa fumaça de um charuto.

Parece até que sobre a fronte angélica
Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre meus sonhos
Mais bela no vapor do meu cachimbo.

Como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte num desdém, num beijo vida,
E celestes desmaios num sorriso!

Mas quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto!

(Autoria: Álvares de Azevedo)

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A COR DA LÁGRIMA

Por que a lágrima não tem cor?
Enquanto chorava, me pus a pensar.
Se fosse vermelha como sangue,
as minhas vestes poderiam manchar.

Se a lágrima fosse amarela,
a cor da alegria, expressar tristeza jamais poderia.

Se fosse azul,
a cor da serenidade,
eu não choraria jamais.
Seria só tranqüilidade.

Se fosse branca
como pétalas de rosas,
não seriam lágrimas...
Mas pérolas preciosas.

Ainda mais uma vez
fiquei me questionando...
Por que a lágrima não tem cor?
Se ela fosse preta,
só expressaria o horror?

Por que será que a lágrima não tem cor?
A lágrima não tem cor...
Porque nem sempre exprime dor.

E se ela fosse roxa, como poderia
expressar a alegria?

As lágrimas não têm cor
porque são expressões da alma.
Quando o espírito está chorando,
o coração diz: tenha calma!

Se a lágrima tivesse cor
deveria ter a cor do amor.
Ou mesmo a cor da paixão,
que as vezes invade o coração.

Ou talvez a cor da tristeza
que abala a alma e tira a calma,
mas faz em meu ser uma limpeza.

A lágrima não tem cor,
porque ela nos aproxima do nosso Criador.
Se a lágrima tivesse cor,
eu só iria chorar de alegria.

Mas, e a lágrima da saudade?
De que cor ela seria?
E a lágrima da decepção,
de que cor seria então?

Se a lágrima tivesse cor
deveria ter a cor de um brilhante.
Como a lágrima é preciosa,
Deus deu-lhe a cor do diamante.

Autor: Wayne W. Dyer

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SONHANDO NAS NUVENS

Sonhar contigo
Sonhar, sonhando
Junto a mim
Contemplo-te
Quero acariciar-te
Receio te acordar.
Entre nuvens
contemplo-te.
Admiro-te.
Encanto-me.
Entre minhas mãos e teu corpo
há infinita distância de emoções
Não posso tocar-te
só a energia de minhas mãos
possue a ventura de chegar a ti
Minhas mãos passam,
perpassando teu corpo
sem tocar-te.
Somente a leveza do
sonho permite expressar
a ternura deste momento.

(Autoria: Alice Capel)

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AMO-TE

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Autoria: Pablo Neruda

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A GRANDEZA DO SILÊNCIO

O silêncio é doçura:
Quando não respondes às ofensas,
Quando não reclamas os teus direitos,
Quando deixas à Deus a defesa da tua honra.

O silêncio é misericórdia:
Quando te calas diante das faltas de teus irmãos,
Quando perdoas sem remoer o passado,
Quando não condenas, mas intercedes em segredo.

O silêncio é paciência:
Quando sofres sem te lamentares,
Quando não procuras consolação junto aos homens,
Quando não intervéns, esperando que a semente germine lentamente.

O silêncio é humildade:
Quando te apagas para deixar aparecer teu irmão,
Quando, na discrição, revelas dons de Deus,
Quando suportas que tuas ações sejam mal interpretadas,
Quando deixas os outros a glória da obra inacabada.

O silêncio é fé:
Quando te apagas, sabendo que é Ele quem age...
Quando renuncias às vozes do mundo para permanecer na Sua presença...
Quando te basta que só Ele te compreenda.

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ONDE VOCÊ VÊ...

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
E o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do
outro, a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

Autoria: Fernando Pessoa)

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RETRATO ANTIGO

As lembranças do passado,
sonhos fantasiados,
reflexos de uma vida feliz.
Em uma foto são retratados,
uma fotografia antiga,
reporta reminiscências,
manchas vivas as lembranças,
retrata nossas vivências.
Ela reproduz cenários,
traz para o nosso ambiente,
datas marcadas em calendários,
e apesar de desbotadas,
sublima o amor da gente.
Ela transmite a sinceridade,
a pureza e a lealdade,
de tempos marcados por bondade.
Os rostos refletem,
as asperezas da vida,
as incertezas do amanhã,
e o ardor de cada lida.
São recordações valiosas,
que a gente guarda no peito,
de amizades, amores,que passaram,
e não voltam, não há jeito.

aUTORIA: Raquel Caminha

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ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.

Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!

vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Autoria: Carlos Drummond de Andrade

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MATIZES

Foi o luar claro,
que no escuro da noite,
varreu o quarto
atrás de fantasias inconfessáveis.
Foi a cumplicidade do vento,
que despertou meu desejo,
e fez o amor arder no peito.
Foi a noite curva,
que trouxe do silêncio da rua
a tua saudade, e a deixou comigo,
nua sobre a cama.
Foi o frio do quarto,
vazio de você,
que adormeceu a minha solidão.
Foi o risco dos teus passos,
na moldura do chão
que marcou o teu adeus.
Foi a pintura das paredes,
que manteve vivas as raízes.
Foi o matiz dos sonhos,
que coloriu as dores,
os amores, as ilusões vãs.

Autoria: Rita Noélia Caminha

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AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Autoria: Carlos Drummond de Andrade

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ENERGIA

Lua de amor.
Lua de paixão.
Nesta lua a brilhar.
Tenho a paixão.
De teu olhar.

Tenho o teu querer.
Que a mim, sabe chegar.
Como a luz a energizar..
O aquecer que vem do sol
O aquecer que me conforta.

Que minha vida preenche.
Num preencher que aquece.
E neste aquecer.
Permaneço, pois a ti
Quero, amar!

Um amor verdadeiro.
Onde a luz que aquece.
É a mesma de teu olhar.

Quero contigo ficar.
Sentir tuas mãos.
A me acariciar.

Suas mãos que me percorrem.
Na magia do luar.
Desvendando os caminhos.
Que a ti, levarão.
Numa rota única, perfeita.
Onde o eu e o tu.
Fundem-se,
Formando o nós.

Autoria: Marici Bross

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SENTIR PRIMEIRO

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois
Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois
Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois
Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois

Autoria: Mário Quintana

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A MINHA ROSA

A mim! foi a mim que o ouviste?
Eu! - chamá-la minha rosa!...
De certo que é bem formosa,
Entre criança e mulher!
Se a vejo tão jovem inda,
Tão simples, tão meiga e linda,
Da vida no rosicler;

Podia chamá-la - rosa,
De musgo ou de Alexandria,
Rosa de amor, de poesia,
Mais lhe não dava que o seu;
Porque se essa flor mimosa
Já chegaste ao teu retrato,
Havias ver como a rosa
De repente esmoreceu!

Porém teu amor, querida,
Teu amor que é minha vida,
Que é meu cismar, que é só meu;
Esse que te faz formosa
Entre todas as mulheres,
Onde achá-lo?! - Minha rosa...
Minha és tu!... como sou teu.

Não nego que é meiga e linda,
Entre mulher e criança,
Tão jovem, tão meiga, e ainda
Da vida no rosicler;
Mas tu vales mais do que ela,
Não conheces bem teu preço,
Acho-te muito mais bela,
Como és, - entre anjo e mulher.

Autoria: Gonçalves Dias

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MADRIGAL MELANCÓLICO

O que eu adoro em ti
Não é sua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz

O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza
O que adoro em ti lastima-me e consola-me
O que eu adoro em ti é A VIDA !!!

Autoria: Manuel Bandeira

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AMANHÃ

Amanhã! - é o sol que desponta,
É a aurora de róseo fulgor,
É a pomba que passa e que estampa
Leve sombra de um lago na flor.

Amanhã! - é a folha orvalhada,
É a rola a carpir-se de dor,
É da brisa o suspiro, - é das aves
Ledo canto, - é da fonte - o frescor.

Amanhã! - são acasos da sorte;
O queixume, o prazer, o amor,
O triunfo que a vida nos doura,
Ou a morte de baço palor.

Amanhã! - é o vento que ruge,
A procela d'horrendo fragor,
É a vida no peito mirrada,
Mal soltando um alento de dor.

Amanhã! - é a folha pendida.
É a fonte sem meigo frescor,
São as aves sem canto, são bosques
Já sem folhas, e o sol sem calor.

Amanhã! - são acasos da sorte!
É a vida no seu amargor,
Amanhã! - o triunfo, ou a morte;
Amanhã! - o prazer, ou a dor!

Amanhã! - o que val', se hoje existes!
Folga e ri de prazer e de amor;
Hoje o dia nos cabe e nos toca,
De amanhã Deus somente é Senhor!

Autoria: Gonçalves Dias

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OUTONO

Foi um amor
acima de tudo.
Angustiado,
mas era belo.
Porque também era eterno
porque vestiu carinhos
porque era alegre e triste
e se perdeu no abandono.
De mãos que buscavam
de olhos que diziam
de bocas insatisfeitas
no calor de um só momento.
Tudo é frio e cinzento
uma chuva pequenina
lava meu passado
e as folhas, levadas pelo vento
vão caindo lentamente... no chão
em que caminho
é um outono de sensações,
desagregações de sonhos
pedaços do que senti
e no fim que se aproxima
restará outra vez
aquela amplidão imensa
o espaço sem limites
de sensações sem eco.
Eu te peço perdão, meu anjo
pela angústia que ficará comigo!

Autoria: Glácia Daibert

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AONDE?

Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde...aonde...aonde?...
O eco ao pé de mim segreda...desgraçada...
E só a voz do eco, irônica, responde!

Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda
Cantando como um rio banhado de luar!

Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E só a voz do eco à minha voz responde...

Em gritos a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás amor? Aonde...aonde...aonde?...

Autoria: Florbela

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AS DUAS ROSAS

São duas rosas unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu...

Unidas bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas...Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor.

Autoria: Castro Alves

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FIM

Só restou em mim um vazio profundo...
um gosto amargo de saudade na boca...
...do beijo que não recebí...
...de suas mãos que não sentí...
...seu cheiro , seu corpo suado e arfante...
...do gozo quente que não me invadiu...
Restou um corpo que te quer...um prazer pela metade,
a vontade de ter você.
Quem sabe um dia...nós nos reencontremos e juntos
completaremos o que não teve fim.

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MOMENTOS

"Como são difíceis os momentos
Momentos de decisões,
momentos de escolhas,
momentos de solidão,
momentos a dois,
momentos de partidas,
momentos que em frações de segundos,
decidimos nossos destinos,
nossos caminhos.
Momentos que nem sempre estamos equilibrados,
lúcidos em tomá-los.
Momentos que se tornarão talvez eternos ou passageiros,
que se tornarão a dúvida ou a certeza
uma realidade ou um sonho,
uma alegria ou uma lágrima.
Momentos que farão de frações eternos dividendos.
Momentos que nos tornarão heróis ou covardes,
que nos farão amar ou odiar.

Momentos que serão lembranças ou esquecimentos,
serão eternidades ou passagens,
sublimes ou ilusórios.
Momentos de paixão,
momentos de capricho,
momentos de amantes,
momentos de loucuras,
momentos de anseios,
momentos de desejos.
Momentos, momentos......momentos,
Momentos que terei para decidir
Se na minha vida,
aqueles momentos que realmente me tocaram,
aqueles que realmente me fizeram,
valeram ou não um dia terem existido.
Temos que ter a certeza de que todos os nossos momentos
valeram a pena, pelo simples fato de
termos vivido!..."

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NÓS DOIS

Queria ter lhe conhecido antes,
muito antes...
Para que nenhum de nós dois tivesse
medos ou cicatrizes.
Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu
o que era AMOR.
Quando seu corpo descobriu
o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração...
Queria ter te conhecido muito antes...
Quando suas esperanças
começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos...
Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado
em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se...
Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes...
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos
temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos...

Ah! como eu queria!
Mas, não foi assim, te conheci agora...
na hora certa?, no momento certo?...
eu não sei...

Só sei que te encontrei agora e,
na sua vida, se você quiser, para sempre...
eu ficarei...!

Autoria: Vilma Galvão

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SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E as bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o presentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
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De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Autoria: Vinicius de Morais

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VIDA

Eu estou aqui.
No mais solitário e reservado canto da minha vida.
Olhando para o computador
Enquanto minha mente sussurra palavras ao teclado,
no mais discreto improviso.
Mas, meu pensamento voa...

Meu pensamento procura por Você...
Onde Você está...Com quem Você está...
Sinto que ele pode viajar quilômetros em apenas alguns segundos e,
Como um espírito cheio de luz, ele pode lhe ver,
Contemplar toda a sua beleza, sorrir para Você
E lhe dizer o quanto Você é importante...
Sinta nesse momento a minha presença ao seu lado.
Feche os olhos, ligue a música e ouça...

Eu te amo.
E não chame meu amor de paixão, pois assim Você me magoa.
A paixão, a distância apaga. O amor, a distância acende.
A paixão passa, enquanto o amor continua.
Na paixão Você ri.
No amor Você também ri, sorri e, às vezes, chora.

A paixão não tem limites. O amor tem obstáculos.
Na paixão Você se dá. No amor, Você se entrega.
Na paixão Você faz sexo. No amor, Você faz e recebe amor.
A paixão é superfície. O amor é correnteza.
Pois a paixão lhe leva, enquanto o amor lhe arrasta.

A paixão ferve. O amor transborda.
A paixão Você conta a todos. O amor Você revela ao amigo.
Na paixão Você curte o momento. No amor, Você o vive intensamente.
Na paixão Você grita. No amor Você sussurra.
Na paixão tudo existe. No amor, tudo se constrói.

A paixão exige. O amor pede.
A paixão é incêndio. O amor é chama eterna.
Na paixão tudo são momentos. No amor, tudo é vida.
Por isso, não chame meu amor de paixão, porque Você é minha vida.
Onde Você estiver, com quem Você estiver, não se esqueça de mim.

aUTORIA: Paulo Ferro

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VOCÊ

Em cada momento um ato
Em cada ato um pensamento
Em cada pensamento uma saudade
Em cada saudade você

Em cada hora uma história
Em cada história uma aventura
Em cada aventura uma lembrança
Em cada lembrança, você

Em cada dia um livro
Em cada livro um porquê
Em cada porquê uma resposta
Em cada resposta, você

Em cada amor uma vida
Em cada vida um saber
Em cada saber uma certeza
Certeza de gostar de você

Em cada música um canto
Em cada canto uma poesia
Em cada poesia um beijo
Em cada beijo um desejo
Em cada desejo, você

Em cada pássaro um vôo
Em cada vôo uma paixão
Em cada paixão uma loucura
Em cada loucura, você

Em cada sorriso uma alegria
Em cada alegria uma felicidade
Em cada felicidade uma vontade
Em cada vontade uma satisfação
Em cada satisfação um prazer
Em cada prazer.....você

Só você, eternamente você......

AutorIa: Giuliana

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SE AMAR FOR MERA ILUSÃO

Se amar for uma mera ilusão
Coitado desse meu pobre coração
Que ama tanto
E nunca importando com entretantos!!!

Nas minhas utopias sempre te busquei
E sempre te encontrei...
E sempre, sempre você aparecia
Realizando todas as minhas fantasias

Sonhava que esse sonho virasse realidade
Querendo torna-los realmente de verdade
E poder assim amar você sobre a luz da lua
E te encontrar, e te abraçar em qualquer lugar...

Estando vestida ou nua, sei lá!!!
Para fazermos amor a luz do luar...
Eu e você num amor assim total
Eu e você numa entrega sem igual!!!

Autoria: Giselda Diamantino

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DECLARAÇÃO DE AMOR

Quantas vezes andei te procurando
Não sei, não contei.
Não percebi que te procurava.
Te queria sem saber,
Te sabia e te amava sem querer.
Te sinto meu, te quero meu.

Não sei se paixão, se amor, se amigo,
Sei que mais do que tudo, te quero comigo.
Quero te ver feliz em minhas manhãs,
Ver teu despertar, teus olhos me encontrando,
Tua boca me deixando sentir teu primeiro gosto,
Teu hálito quente e teu cheiro de sono.

Me misturar com teu sonho,
Sem saber ao certo se já desperto,
Ou se te envolvo em meus encantos,
Em nosso desejo macio e branco,
Perdido e surpreso de tão intenso.

Sentir teu suspiro ao meu toque,
Beijar o teu corpo e ouvir teus gemidos,
Assim te quero, menino, perdido...

Te quero e te chamo, e sem chances,
Simplesmente te abraço,
E deixo minha mão na tua,
Na calma de dois em um só.

Porque já te encontrei,
Porque você sempre fez parte de mim,
E por um querer do destino,
Nossa união teve seu tempo certo para acontecer.

E sei quem é você. Você sabe de mim.
E deste momento em diante nosso caminho se funde,
Mesmo sem saber ao certo por onde andaremos,
Mas com uma certeza.

Nosso caminho é direto,
Nosso futuro é concreto.
Nosso destino, a felicidade!

Autoria: Samara Morando

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RECORDAR...

Assim vou vivendo,
lembrando,
saudoso,
teus beijos,
abraços,
amassos...

Aquela boca úmida,
quente,
língua saliente,
dedos levados...
correndo meu corpo,
me fazendo arrepiar...

Ah, como é bom,
ter-se do que recordar...

Mãos de palma macia,
percorrendo minha pele,
uma massagem gostosa...
relaxamento total...

Depois aquele chegar,
corpo com corpo, unidos,
sentindo o prazer causado,
suor saindo dos poros,
um cheiro que fica...
Inebriante, sensual,
por ser aquele que sinto,
o teu cheiro natural.

Ah, como é bom,
muito bom,
ter-se o que
recordar !

Autoria: José Maciel

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LEMBRANÇAS

Arquivei-te no meu passado
e habitas minhas lembranças...
Quantas vezes achei necessário
desarquivar,
jogar lembranças pela janela
para voarem
como plumas ao vento...
Mas,
como é bom,
nos momentos de solidão
e desesperança,
abrir aquela gaveta
que tem o teu nome,
tirar a poeira
dos grandes momentos
e bailar em teus braços
por entre casais de namorados,
ouvindo o sussurro de teus lábios...
E olhar-me no espelho
e ainda ter vinte anos!
Como diz o Roberto,
"se sofri ou se chorei
emoções eu vivi!"
E estão tão vivas
na memória
e me reabastecem
quando estou triste...
são as provas de que
na escola da vida,
conheci todas as matérias...
a ilusão,
o amor,
o desamor,
o sofrimento...
Em todas, obtive notas máximas...
Mas acho que fiquei reprovada
porque, naquele tempo,
achava que sabia tudo...
Na realidade,
não sabia nada!
Mas,
se fosse possível voltar ao passado...
Puxa!
Faria tudo outra vez!

Autoria: Maria José Zanini Tauil

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VIAGEM - SONHO

Hoje meu coração tem leveza de luz,
claro e cintilante
como brilho de praiamar
em tarde sem nuvens.
O vermelho é ouro
de vida e valsa,
luminescência
de amante estrela em vento leste
no signo de Câncer.

Hoje meu coração entreabre desejos
com presença e ausência
na floresta de músicas perdidas
em céus de primeira hora.
O vento é fluir de sonhos
porque o frio busca o acalanto,
e os braços enlaçam destinos
entrevivendo caminhos:
dança e manjar de deuses.

O oceano perfuma a madrugada azul,
a superfície cheira e é doce.
Ondas espelham indulgência e sorrisos
que balançam a ternura
minha e tua.

Suave é o deleite.
Por que todos os momentos não são de alegria?
Chega de busca insolúvel,
fiquem longe os gestos improváveis.
A glória nasce de imagens barrocas,
não passa da Primavera,
mas é visível no amanhecer.

Autoria: Wanderlino Arruda

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APENAS NA POESIA

Amar-te por toda vida é o que mais queria.
Ser por ti inteiramente possuída,
sem angústia... Sem melancolia.
Demonstrar o meu amor profundo,
flutuar nas ondas do teu corpo,
estar alheia a tudo... ao mundo,
e tu... a nau adentrando o porto!
Mas a maldita consciência,vigilante, brutal e fria,dita as normas sem clemência.
E a realização se dá... apenas na poesia.

Autoria: Lydia Prando de Souza

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APENAS TE AMO

Quis dizer em forma de poema
as belezas da vida ao teu lado
mas sem rimas, sem esquemas
só pude dizer:
"TE AMO!

Quis dizer em forma de canção
a alegria em que me encontro
mas com a voz do coração
só pude exclamar:
"TE AMO!

Quis dizer em forma de pensamento
o que me vai no íntimo,
mas com a força do meu sentimento
só pude gritar:
"TE AMO!

Quis, tentei, foi em vão
agora não mais canto ou exclamo
olho para teu sorriso, teus olhos
e sinto apenas:
"TE AMO!

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SAUDADE É SOLIDÃO ACOMPANHADA

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade,
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."

Autoria: Pablo Neruda

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SAUDADES

Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.

Então - proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
- Saudades - Dos meus amores
- Saudades - Da minha terra!

Autoria: Casimiro de Abreu

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NOSSO RINCÃO

Hoje, fui até o "Rincão"
e fiquei muda!
Como mudos estavam
todos os que lá moravam!

As flores, o céu as estrelas
a canção, a paixão, o luar!!!

E ante tão surdo silêncio!
Somente se ouvia então
palpitando loucamente
os gritos de um coração!

Onde estás? porque não voltas?
Não sabes que morro de dor?
Não há mais vida aqui dentro
é frio, sem teu calor!

Nosso "Rincão",
onde outrora juntinhos
Entoávamos versos de amor e paixão!
Hoje é nada mais do que um triste quadro
envelhecido e sem cor!

Quantas lembranças encerram
nosso canto, as flores, a canção!
Quantos sonhos sepultados
à sombra de uma ilusão.

Autoria: Irani Alves de Genaro

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HOMENAGEM AO MEU AMOR

Quero fazer uma valsa
Pra mulher que me fez tão feliz
Quero fazer esta valsa
para aquela que tanto me quis
quero que todos se lembrem
daquela que foi meu amor
e guardar para sempre
o perfume de tão bela flor
Minha amada e querida
partiste tão cedo sem dizer-me adeus
não fiquei triste, meu bem
pois sei muito bem
que estás junto de Deus
hoje unida aos anjos
pertences ao coro divino dos céus
cantando louvores eternos
vivendo a presença infinita de Deus

Autoria: Geraldo

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...O AMOR, QUANDO SE REVELA

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Autoria: Fernando Pessoa

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COMO EU TE AMO!

Sorry, your browser doesn't support Java(tm). Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua;

Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;
Como se ama o crepúsculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O sussurro da fonte que serpeia,
Uma imagem risonha e sedutora;

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-te os lábios meus, -- mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti.-- Por tudo quanto eu sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta sofrer, por tudo que te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saberás
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem eu te revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.

Autoria: Gonçalves Dias

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DIVINA MÚSICA

Filha da Alma e do Amor
Cálice da amargura e do Amor
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos
Mãe das lágrimas do amor oculto
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores
Unidade de pensamento dentro dos Fragmentos das palavras
Criadora do amor que se origina da beleza
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura
Ó música
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações.

Autoria: Gibran Kahlil Gibran

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AMA-ME POR AMOR DO AMOR

Ama-me, por amor do amor somente,
Não digas: Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente

Minh'alma em comunhão constantemente
Com a sua". Por que pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.

Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade

De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.

Autoria: Elizabeth Barrett Browning
Tradução: Manuel Bandeira

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CRIAÇÃO

Há no amor um momento de grandeza,
que é de inconsciência e de êxtase bendito
os dois corpos são toda a Natureza,
as duas almas são todo o Infinito.

É um mistério de força e de surpresa!
Estala o coração da terra aflito;
rasga-se em luz fecunda a esfera acesa,
e de todos os astros rompe um grito.

Deus transmite o seu hálito aos amantes:
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,
e a Gênese fulgura em cada abraço;

Porque, entre as duas bocas soluçantes,
rola todo o Universo, em harmonias
e em florificações, enchendo o espaço!

Autoria: Olavo Bilac

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A MORTE NÃO É NADA

A morte não é nada.
Eu somente passei para
o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
Eu continuarei sendo.

Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
Falem comigo como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?

Eu não estou longe,
Apenas estou do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
A vida continua, linda e bela como sempre foi.

Autoria: Santo Agostinho

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O QUE ME DÓI

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Autoria: Fernando Pessoa

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AMOR E SEU TEMPO

Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais revolva,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não imprevisto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe

Valendo a pena o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Autoria: Carlos Drummond de Andrade

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SONETO DO AMOR TOTAL

Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do
que pude.

Autoria: Vinícius de Moraes

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SONETO DO ORFEU

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Autoria: Vinicius de Moraes

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AOS MEUS FILHOS

Quando eu morrer, se for cremado,
lancem minhas cinzas
ao léu, num vôo de liberdade
e como poeira fertilizante
sobre a terra caia. Porque assim:
Serei ESPERANÇA
na relva que nasce
Serei BONDADE
na sombra que abriga
Serei CARINHO
na brisa que afaga.
Serei SAUDADE
na árvore que tomba
Serei VIDA
no grão que alimenta.
Serei LÁGRIMA
no orvalho que se desfaz.
Serei LUZ,CALOR
na labareda que aquece e ilumina.
Serei AMOR
na ternura da flor que desabrocha
Serei ALEGRIA
na festiva alvorada da madrugada.
E no contraste da vida do morto vivo
Estarei presente
na PERVERSIDADE dos espinhos que enfeitam os cactos
e na INGRATIDÃO dos que protegem as rosas.
Estarei -*presente na MALÍCIA
disfarçada da urtiga
e na MALDADE agressiva
do carrapicho.
Estarei presente no ORGULHO
do ipê florado
e no EGOÍSMO do mandacaru
sem sombra.
Enfim, meus filhos:
No sussurro do vento,
Na folha que cai...
A qualquer momento
Encontrarás teu pai

Autor: Luís Jucá Arrais Maia

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CANÇÃO

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Autoria: Cecília Meireles

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EU QUERIA SER...

O parceiro de suas alegrias
O ombro de suas infelicidades
O motivo de cada sorriso
E a razão de sua saudade.

És do poeta a inspiração
Do músico a própria canção
O néctar da mais fina flor
Do mundo, meu grande amor.

És poema que nunca foi lido
O sonho que não quero acordar
Do amor, o próprio cupido
Minha vida, o meu sol, o meu ar.

Se tivesse eu o dom da poesia
Para em uma só palavra
Descrever o amor
Este nome o seu seria

E eu o faria, em verso ou prosa
Como faz o trovador.
Mas como na poesia não posso
me apoiar, apenas três palavras queria dissertar

"Eu te amo",

mesmo sem você acreditar
Você é o sonho que não quero
acordar.

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MEU SONHO

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...

Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar ?

Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Autoria: Cecília Meireles

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NÃO A CONHEÇO

no entanto, meu coração a vê.
E minha alma a sente por completo!
Talvez nunca nos encontremos realmente,
mas tenho certeza que
jamais iremos nos separar.

O vento me trás tua voz.
Sinto o calor de teu corpo,
Através dos fugazes raios de sol do amanhecer.
Caminho de mãos dadas contigo,
sobre um arco íris sem fim.
Abraço-te fortemente,
protegendo-a com meu corpo
da suave brisa que agita teu cabelo.

Mergulho no oceano de paz de teus olhos.
Para colher em meus lábios
uma lágrima de ternura,
que transforma-se em pérola,
ao tocar-me o coração.
Anseio pela chegada da noite que,
cúmplice de minha paixão,
transporta-me em sonho
ao aconchego dos teus braços.

Entristece-me o raiar do dia,
quando o sonho termina.
Porém, consola-me a lembrança,
E a esperança do novo sonho,
que alimentará, ainda que brevemente,
a sede avassaladora que consome meu ser.
E somente o néctar de tua boca poderá saciar!

Autoria: Kamael

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SOSSEGA

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Autoria: Fernando Pessoa

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DOEU... ESTÁ DOENDO!

Deixa-me chorar, cantar o desencanto...
lamentar com este meu pranto,
essa desilusão...

Um amor tão decantado, em versos, rimas e prosa,
ornado com tantas cores, um verdadeiro arco-Íris...
que tal e qual uma flor, de repente se murchou,
e com pétalas sem vida, de seu galho se quedou...

Reguei o amor, com tanto amor, carinhos eu dei demais...
somente minha presença, por tão distante causou,
tanta saudade, tanta, tanta pressão tão sentida,
tão reclamada, com razão,
Mas cada vez que falavas,
machucava, apertava, também o meu coração...

Consciente eu sou, das palavras que feriram,
quando pedi que parasse, ao menos diminuísse,
a cobrança da presença, impossível de momento,
pois tal fato me causava, um enorme sofrimento.

Seu modo modificou, sua voz já não sorria,
sei que você sofria, tinha enorme agonia,
assim como eu também...
Então um dia achei que, o melhor para você,
seria eu me afastar, dar um tempo, quem sabe,
para essa mágoa acabar.

Fiz-te um poema, um versinho,
falando da esperança, de que o tempo ajudasse,
que houvesse esquecimento e sua mágoa acabasse..
E emocionado eu li, para você escutar,
e a resposta obtida, de forma tão objetiva,
era que, talvez, nunca mais....!

Doeu, dói, doerá...
que de repente eu visse, sentisse...
Que aquele amor tão profundo,
tão saudoso, ardoroso,
Brilhante, tal um diamante,
se transformasse num instante,
sem mostrar nenhum desvelo,
num iceberg, imensa pedra de gelo...

Doeu...
Está doendo...!

Autori; José Maciel

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A ABELHA E A FLOR

Ide pois aos vossos campos e pomares,
e lá aprendereis que o prazer da abelha
é de sugar o mel da flor,
mas que o prazer da flor
é de entregar o mel à abelha.

Pois, para a abelha,
uma flor é uma fonte de vida.
E para a flor
uma abelha é mensageira do amor.

E para ambas,
a abelha e a flor,
dar e receber o prazer
é uma necessidade e um êxtase.

Autoria: Gibran Khalil Gibran

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SONHO DE AMOR

Que importa que os ventos contem
Pro sol, pro mar ou para os montes
O que sinto por ti!

Como água cristalina
É a paixão que me domina
Já não dá mais pra esconder

As vezes penso sorrindo
Que entre as nuvens estou dormindo e...
Em sonhos, quanto prazer!

Tu me tomas em teus braços
Me conduz pelo espaço...e...
Assim bailamos ao luar!

A suave brisa da noite
Torna mais doce a emoção
Que é sentir sobre o meu peito
Palpitar teu coração!

Girando docemente
Me apertas um pouco mais
Sinto teu hálito quente
Teus lábios tão próximos aos meus

Incontrolável, a tremer, te declaras
Alternando com carinho
Frases de amor e beijinhos,
Que crescem cada vez mais!

Assim, a derreter-se em ais!
Selas-me a boca, com doce beijo
Desvairado em mil desejos
Pra eu te sentir melhor e mais...
Que pena acordar, descobrir

Que nada disso é verdade
E sonhando outra vez imagino,
Que esse sonho divino,
Um dia será realidade.

Autoria: Irani Alves de Genaro

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DEUS

Como me foi difícil contigo falar,
Quanto tempo andei,
De quantos tropeços me levantei,
Naufrágios sobrevivi...

E hoje, Senhor,
Ao passar pelo jardim entre flores e folhas,
Pisando na grama molhada,
Ouvi um canto que até então não defini.

Levantei a face ao céu supostamente escuro
E, em soluço intenso de alegria,
Sentia-te no piscar das estrelas,
No clarão da lua, no além da noite.
O amanhecer de não apenas um dia,
Mas de um novo meio século
Que desponta em forma de fé!

Senhor dos senhores,
Em felicidade entreguei-me a ti
E como sempre te peço que vás adiante de mim; hoje pairou no vento a certeza
que estás indo mais além,
estás a volta, acima e dentro de mim!

Obrigado, Senhor, por habitares
todos esses anos calado
e em silêncio em minha alma!

Obrigado, Senhor, por teres a
Paciência no esperar do meu despertar!
Obrigado, Senhor, por me manteres
Em amor, o mais puro amor,
Na alegria de ser, nessa luta de viver...
...Apesar dos pesares.

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VIVÊNCIAS DE INFINITUDE

Encontros de sonho e ternura,
sim, há encontros
curtos e fortuitos, mas sempre sonhos,
sempre ternura.
Não se sabe onde começam,
quando acabam
pois inimagináveis e ideais.
multidão de tempos vividos,
semelhança mais: identidade,
azul e lilás dos céus,
tardes de mil pensamentos
e encantada alegria.
A linha do horizonte
nítida como um fio de luz,
inexiste tênue e mágica,
separando tons sobre tons
cada vez mais puros.
Ouço esplendentes matizes
com cheio de amor-menino
sazonado e ingênuo:
veludo-seda, mangaba-mel
doce e suavemente amargo.
O destino viaja sensível
com um tilintar de auroras
ou de dourados crepúsculos.
Gostoso sentir vivências,
imagens lúdicas,
lúcidas de amor.
Amor !

Autoria: Wanderlino Arruda

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SOLITÁRIO

Não me julgues.
Não tentes entender-me.
Sou como o vento
Não tenho destino.
Apenas passo...
Aproveita a brisa !

Não me prendas,
Não me possuas.
Sou como água,
Se preso, evaporo.
Mate apenas tua sede !

Não tentes guardar-me.
Não me aprisiones.
Sou como as flores,
Colhido, feneço.
Guarda-me o perfume ! Sorry, your browser doesn't support Java(tm).
Não me descrevas.
Não me modifiques.
Sou como um sonho,
Uma Ilusão.

Não me acompanhes,
Não tentes seguir-me!
Sou como um cometa,
solitário.
Apenas admira-me...
Neste momento, então,
Serei Poeta.
Teu Poeta.

Autoria: Almir Bastos

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AMOR DE VERDADE\

Procurei, encontrei...
Dias melhores, felizes,
porque sempre acreditei,
que o amor de verdade existe.

No decorrer desse tempo,
de mil mensagens trocadas,
de palavras apaixonadas,
de mentiras deslavadas,
enfim, eu encontrei.

Por que agora eu sei
que encontrei o amor?

Porque tudo se tornou mais:
o céu está mais azul,
as estrelas mais brilhantes,
as árvores são mais frondosas,
com sombras bem refrescantes;
as flores bem mais cheirosas,
suas pétalas mais formosas.

Por que eu sei
que agora encontrei o amor?

Porque agora encontrei,
momentos de Paz;
com tranqüilidade ouvi
palavras,
ditas com simplicidade,
me declarando amizade.

Porque lhe vi, olhando, pra mim,
com um sorriso encantador.
Tão sincero, sedutor,
revelando que em seu interior,
há um grande amor de verdade.

Porque eu sei, com certeza,
que o Amor tão procurado,
e finalmente encontrado,
é simplesmente
Você !

Autoria: José Maciel

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TIMIDEZ

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

— palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

— que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

Autoria: Cecília Meireles

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ESTRELAS

" 'Oras (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdestes o senso!' E eu vos direi , no entanto ,
Que , para ouvi-las , muita vez desperto
E abro as janelas , pálido de espanto...

E conversamos toda a noite , enquanto
A Via Láctea , como uma pálio aberto ,
Cintila . E , ao vir do sol , saudoso e em pranto ,
Inda as procuro pelo céu deserto .

Direis agora : 'Tresloucado amigo !
Que conversas com ela ? Que sentido
Tem o que dizem , quando estão contigo ?'

E eu vos direi : "Amai para entendê-las !
Pois só quem ama pode Ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender as estrelas ."

Autoria: Olavo Bilac

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POEMA À TOA

Não amo a cor dos olhos
Amo o olhar
Não amo a brancura dos dentes
Amo o sorriso
Não amo o contorno dos lábios
Amo o beijo
Não amo o formato dos braços
Amo o abraço
Não amo o alongado dos dedos
Amo a carícia
Não amo as curvas das pernas
Amo o andar
Não amo o volume dos seios
Amo o aconchego
E que bom não seja isto uma escultura
Seja apenas um poema à-toa
Porque não amo um corpo
Amo uma pessoa.

Autoria: Moacyr Sacramento

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ÚLTIMO SUSPIRO

Tua imagem distante
ao fundo do passado
que a vida juntou
embora em vão pois
nem gozar somente um beijo
nos foi possível

Temes, não sei o quê?
pois é visível que em teu peito
soluça um coração sem jeito
de lutar por teus anseios

Qual uma noite fria
em vertigem de amor
deixas tombar os sonhos
feito uma estrela que cai

Não, eu não te quero
pelo simples prazer de querer
Desespero-me ao saber
que sem ti, a vida se esvai

Em meu olhar de trevas
ardem chamas de paixão insana
posto que só loucos amam
como eu a ti, vivo a amar!

Pudesse ao menos
morrer em teus braços
mesmo que por piedade
meu corpo abrigasses
amenizando o meu martírio

Pudesse ao menos nessa hora
deixar por ti, meu grande amor
o meu último suspiro.

Autoria: Irani A. de Genaro

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VELHAS ÁRVORES

Olha estas velhas árvores, mais belas

Do que as árvores novas, mais amigas:

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas

Vivem, livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!

Envelheçamos rindo! envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,

Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem!

Autoria: Olavo Bilac

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ACALENTO

Eu só queria um ombro para encostar e dizer a
falta que o Ser Humano me faz,
Eu só queria me acomodar em um colo,
e sentir o calor do amor,
assim como o corpo é aquecido
quando exposto ao raio do sol.

Eu só queria não ser tão ausente
no coração de tanta gente...
Eu queria quase nada...
Tão pouco o que eu queria...

Queria compreensão, ternura e um pouco de razão,
Queria um sorriso gostoso despretensioso,
Um abraço doado, apertado, sensibilizado.
Um Te amo de coração...

Queria ganhar um pouquinho de algum chão,
sem poeiras da imaginação.
Queria continuar a acreditar que pessoas
ainda são capazes de se doar.

Eu só queria dentro do mundo com tanta gente ,
Ter o imenso prazer, de pelo menos à alguém dizer:
Por ti vale todo meu viver!
Eu, Simplesmente queria...
Eu só queria...

Autoria: Cora Maria

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SAUDADE DE TI

Quanta saudade
Do teu cheiro, da tua voz
Do teu jeito meu de ser
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De sentir os teus beijos, teus carinhos
E depois enlouquecer
Nessa paz que fica
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De não ter tempo nem momento
De ser simplesmente
E fazer acontecer
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De quase morrer
Num minuto de incerteza
Por amar mais que queria
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Mas como controlar o que não sacia?
E para que calar o que já evidencia?
Aparências? Que sentidos elas tem
Se o amor não as pode ver
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Ah! Que saudade de matar
Esse explosivo desejo
De querer até quase enlouquecer
Sorry, your browser doesn't support Java(tm).
E então sossegar num abraço
Infinitos segundos de reencontro
Para acalmar toda ânsia
E o desespero de não ter
Sorry, your browser doesn't support Java(tm).
Sugar cada gota desse momento
Para depois novamente
Querer e não poder

Autoria: Mirtes Aquino

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VIVER NÃO DÓI

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

Autoria: Carlos Drummond de Andrade

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