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Bispo do Ipiranga

A Região Episcopal Ipiranga acolheu seu novo pastor numa festiva celebração no mês de Junho, em nossa Paróquia/Santuário São Judas Tadeu. DOM TOMÉ FERREIRA DA SILVA, ordenado bispo no dia 13 de Maio em sua cidade natal, Cristina (MG), nasceu em 17 de maio de 1961, sendo o décimo filho de uma família de doze irmãos. Em entrevista exclusiva ao Jornal São Judas, Dom Tomé fala de sua fé, vocação e de sua surpresa ao ser nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, com apenas 43 anos de idade.

Dom Tomé:

A minha indicação para bispo ocorrida no dia 9 de março foi uma surpresa por muitos motivos. Primeiro: que a gente é padre e nunca pensa como padre num episcopado; segundo: por causa da minha idade, sendo uma pessoa jovem, jamais esperava que um chamado para um ministério como o episcopado pudesse ocorrer nessa idade, uma vez que a Santa Sé privilegia normalmente padres mais experientes; Terceiro: foi uma surpresa maior a indicação para São Paulo, por ser um padre do interior de Minas. Mas eu acolhi este convite em espírito de fé, no seguimento à pessoa de Jesus Cristo e em espírito de serviço à Igreja que me confia esta missão, e também com um coração missionário, no desejo de anunciar também Jesus às pessoas que vivem nesta cidade de São Paulo.

No momento eu sou o bispo mais jovem em idade, no Brasil. Eu fui nomeado com 43 anos e hoje tenho 44, mas isso tem dois significados: primeiro, mostrar que a Igreja, através de seu pastor, do Papa João Paulo II e agora o Bento 16, confia também nos jovens, porque dentro do presbitério podemos dizer que sou um padre relativamente jovem. Segundo, vejo como um sinal de grande responsabilidade, no sentido de dever responder às expectativas que essa mesma Igreja colocou no meu coração.

Eu fiquei muito entusiasmado quando soube pelo Cardeal Dom Cláudio que deveria vir para a Região Ipiranga. Porque é uma região muito rica no sentido do presbitério. Aqui nós temos o Seminário de Teologia da Arquidiocese, a Faculdade de Teologia e a Casa São Paulo, onde estão os padres idosos, enfermos, os professores. Temos também a representatividade de muitas Congregações religiosas masculinas e femininas que têm aqui no Ipiranga suas Casas Provinciais, suas Obras Sociais. E também pelo fato de que, nesta Região, há um clero Diocesano muito bem solidificado, sobretudo através do trabalho realizado no passado por Dom Celso Queiroz que aqui ficou por mais de 20 anos e deixou padres excelentes, muitos bem formados, estruturados. Ao mesmo tempo eu vejo com carinho também porque esta Região, embora seja predominantemente de classe média, tem um bairro muito popular, Heliópolis, com as Paróquias Santa Edwiges e da Madre Paulina. Nós sabemos que os pobres são os prediletos de Jesus e eu fico muito contente de poder ser pastor também deste povo simples, humilde, que deverá encontrar no meu coração de pastor o mesmo amor, o mesmo carinho que Cristo dedicou aos pobres de seu tempo.

Minha vocação surgiu na adolescência; eu devia ter meus 12,13 anos. Estava terminando a 4a série quando comecei a participar de um movimento chamado Cruzada Eucarística (hoje, MEJ, Movimento Eucarístico Jovem), com um grupo grande, de quase 100 adolescentes. A semente foi lançada aí e o padre da minha época, lá na minha cidade, o Cônego Artêmio, começou a gostar muito que eu o ajudasse. Ele começou a me chamar para ajudar nas missas, como coroinha, e para ir com ele na roça, como leitor, e foi me integrando no trabalho de catequese paroquial, me dando responsabilidades. Dois anos depois, aos 15 anos, eu já me via dentro do Seminário em Campanha (MG), fazendo a 7a série.

A minha família é muito grande. Nós somos 12 irmãos, um já falecido. Minha mãe também é falecida, meu pai tem 86 anos e reside em Cristina com um dos meus irmãos mais novos. Alguns irmãos ainda residem em Cristina e outros no Vale do Paraíba. Tenho uma irmã que é religiosa, da Providência de GAP que está no Pará, numa área de missão. Tenho muitíssimos sobrinhos, mais de 40. Já tenho sobrinhos-netos também. Primos então são incontáveis... alguns moram na cidade de São Paulo.

A reação da minha família, no passado, não era muito boa, porque quando eu fui para o Seminário em 1975, eu já tinha um irmão que era seminarista redentorista e que depois acabou não prosseguindo na formação presbiteral. Naquela ocasião meu pai era explicitamente contra. Ele achava que já tendo um irmão que estava no Seminário, e por eu ser um dos mais novos, penso que ele olhava pra mim como alguém que fosse ajudar ali no sítio, que continuasse seu trabalho. Porque quase todos os outros irmãos mais velhos já tinham saído de lá. Então meu pai fez uma oposição inicial à minha ida ao Seminário. Minha mãe não. Ela acolheu com muita tranqüilidade aquela idéia. Interessante porque meu pai era muito mais religioso do que minha mãe. Meu pai sempre se distinguiu pela presença dominical à missa, pela oração diária do terço. Eu aprendi a rezar o terço olhando ele rezar todos os dias à tarde, depois do jantar, na janela da nossa casa, na roça.

A minha mãe não era de freqüentar muito a Igreja, mas era muito caridosa. Com ela aprendi o amor. Minha mãe tinha um amor pelos pobres impressionante, capaz de desapegar-se de tudo para ajudar os pobres. A caridade eu aprendi com ela. E minha mãe respeitou a opção que fiz. Alguns tios foram contra a minha vocação também. Tinha um tio, casado com a irmã do meu pai, já falecida, que morava perto de casa. Ele me dizia que não entendia como um jovem tão inteligente, que podia se dar bem na vida, estava escolhendo uma vida que iria viver de esmolas.

Parece que já naquele tempo eu tinha uma segurança daquilo que queria. Depois, veio a ordenação e meus pais acolheram bem, meus irmãos também. Quanto ao episcopado agora, meu pai ficou um pouco assustado, pela sua idade avançada... e o meu distanciamento. Mas esse distanciamento não significa abandono, estarei menos perto, mas não deixarei de estar perto, com minha oração, minha amizade e respeito de filho para pai.

Tenho irmãos que são muito católicos. O Joaquim, que é vicentino, herdou da minha mãe o amor pelos pobres. Eu acho que ele é até mais católico do que eu (risos), pela santidade da vida dele: um homem de oração e de amor pelos pobres. Tem um outro irmão, o Pedro, que com a sua esposa e a filha são muito ligados à vida paroquial onde moram, no Vale do Paraíba. Lá em Cristina também, meu irmão caçula, o Dimas, é muito ligado à Igreja, à Pastoral Familiar. Alguns irmãos são de missa dominical apenas, outros nem isso. Alguns ainda precisam ser evangelizados.

Eu tenho uma grande devoção, primeiro, à Nossa Senhora. Trago Nossa Senhora bem perto de mim porque no bairro onde nasci nós tínhamos uma pequena Capela dedicada à Nossa Senhora das Graças. Depois fui para o Seminário dedicado à Nossa Senhora das Dores. Já trabalhei em Paróquias dedicadas à Imaculada Conceição, Nossa Senhora das Dores novamente, a última à Sagrada Família. Isso foi fazendo crescer no coração um amor muito grande à Nossa Senhora. E também foi aprendido dentro de casa. Meus pais tinham um amor muito grande à invocação de Nossa Senhora Aparecida, que foi criado sobretudo pelo trabalho do Pe. Vítor Coelho de Almeida, que imprimiu na região do sul de Minas esse amor através da Rádio Aparecida. Então eu herdei da minha família e depois com o tempo, esse amor a Nossa Senhora foi crescendo. Gosto muito de São José porque acho que São José é formidável pelo seu escondimento. Na Sagrada Família São José é o terceiro. Numa sociedade patriarcal como a judaica, Jesus era o centro, Maria vinha em segundo lugar e São José, coitadinho, era o terceiro, e eu assumi isso também como um modo de vida, de nunca querer ser o centro nem o segundo, mas sempre ser o terceiro, isto é, sempre ser o último, o servidor de todos. Como santos, depois de Nossa Senhora e São José, eu gosto muito de São Tomé, porque me chamo Tomé, e acho que dentro os apóstolos, São Tomé é o mais humano, o que expressa a sua desconfiança no Cristo ressuscitado, mas depois sensivelmente toca o Cristo e reafirma a sua fé. Gosto muito de Santa Teresa de Jesus, conhecida como Teresa D'Ávila. Gosto demais de São João da Cruz. Estes são os dois grandes místicos da Igreja. Faço questão de ler sempre Santa Teresa e já li várias obras de São João da Cruz. E da modernidade, eu gosto muito de Santa Edith Stein, ou irmã Teresa Benedita da Cruz (judia, alemã e católica), canonizada por João Paulo II, por seu vínculo com a Filosofia, pois minha formação é filosófica. Quando Edith Stein foi canonizada eu fiquei muito feliz. Considerei como um presente da Igreja a todos nós que nos dedicamos ao estudo da filosofia.

Há algum tempo eu já leio o Jornal São Judas, porque lá em Três Corações (MG) ele chegava na Paróquia, pois começou a ser enviado pelo Pe. Toninho Barbosa, scj. Então eu acompanho o Jornal por um bom tempo. E através do Jornal São Judas quero deixar o meu abraço a todos da Paróquia São Judas e também a todos os fiéis devotos de São Judas Tadeu que para o Santuário acorrem a cada dia 28 para sua oração. O meu abraço e a minha bênção a todos que freqüentam o Santuário!

Texto: Priscila Thomé Nuzzi

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PIOTR ILICH TCHAIKOVSKY (1840-1893)